Dia 6; sábado, 30 de janeiro de 2016; Catripulli – Pucón; 60 km; 1.330 mts

Missão cumprida! 

Uma etapa que muito apreciei pela sua variedade e uma prova definível numa só palavra: MÁGICA!

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Dia 5; sexta-feira, 29 de janeiro de 2016; Catripulli – Catripulli; 72 km; 2.300 mts


A etapa começou da aldeia de Catripulli com 11 quilómetros neutros até à cidade de Curarrehue, onde se iniciou a primeira subida, e a primeira com o início a empurrar, apenas 1 quilómetro. Depois chegados ao quilómetro 23 começa de facto o empurrar e foram cerca de 4 quilómetros praticamente sempre a empurrar.

Felizmente a lagoa Huechulafquen e a majestosa floresta nativa compensaram. Hoje foi ainda dia de atravessar a ponte alta de suspensão sobre o rio Maichin…

Travão novo a funcionar na perfeição, roldana na mesma, ou seja corrente a saltar sempre que não está esticada em terreno acidentado…


Amanhã termina em Pucón.

Dia 4; quinta-feira, 28 de janeiro de 2016; Huilo Huilo – Catripulli; 97 km; 2.330 mts

Depois de uma reconfortante noite, com as mordomias de hotel, o dia nasce transfigurado, com sol e uma temperatura razoável (de qualquer forma manguitos, ou casaco, são bem-vindos).

A logística matinal exigiu organizar, em cima da hora de partida, o transporte das nossas malas para o acampamento, pois a organização neste ponto foi dúbia, alinhámos para aquela que seria a mais longa etapa de sempre do Transandes Challenge.

Eu arrancaria com o meu primeiro problema mecânico, não resolúvel até ao final da prova, e não conseguia prender a manete das mudanças do desviador da frente. Como tinha montado um 40/28 não seria grande problema, pois o 28 faria bem a missão e entretanto arranjei também uma forma de prender a manete com o material de excelência do Huilo Huili., um pedaço de madeira.

No dia 2 tínhamos tido já dois pequenos problemas mecânicos. O José o disco de travão de trás empenado, e eu um raio partido, e ambos foram resolvidos pelas assistência da Shimano. Estranho foi a corrente do José ter aparecido fora do desviador traseiro (deve fazer parte da magia do local), mas demos por isso a tempo e também foi resolvido pela assistência.

A partida era rápida mas neutralizada nos primeiros quilómetros (seguíamos em pelotão atrás do carro da organização) e depois entrava num trilho relvado, também bastante rápido, onde me senti particularmente desconfortável, pois pela primeira vez estava de óculos e a zona tinha pouca luminosidade, o rebound da suspensão estava mal ajustado e pôr e tirar o “pauzinho” na manete ainda não estava rotinado.

Depois dos 25 quilómetros inicias em plano veio a subida florestal ao Parque Nacional de Villarrica, seguida por uma descida espectacular nos trilhos da floresta araucária chilena. Terminando a etapa numa descida rápida até Palguín seguida de 5 quilómetros a rolar até ao acampamento em Catripulli.

Durante a etapa aos problemas mecânicos iniciais veio-se juntar um travão da frente a bloquear quase completamente a roda, e respectiva manete sem pressão, e a corrente a saltar constantemente do carreto inferior do desviador traseiro. Solução para o travão não tinha, já para a corrente a solução era mantê-la sempre esticada, ou seja, estar sempre a pedalar.

Concluímos mais esta fantástica etapa sem grandes peripécias e eu desde que entrámos em Villarrica não parava de pensar, e dizer ao José, que amanhã é que vamos sofrer…

A chegada a um novo acampamento exigiu a logística adicional de carregar saco para a tenda, e os sacos não estavam nem leves, nem propriamente perto das tendas.
Depois de tomado banho e da massagem tratei de procurar imediatamente solução para os meus problemas mecânicos. Levei a bicicleta à assistência da Shimano que não só não me resolveu como inutilizou completamente o travão, rasgou-me o punho e nem sequer mexeram na roldana. Vi que a solução não passaria por ali, e que insistir na resolução não me levaria a lado nenhum, pois não tinham nenhum travão para montar. Assim procurei outra solução que rapidamente encontrei numa equipa de mecânica bastante mais alinhada com o espirito destas provas e montei um novo travão, pedi a substituição da roldana e com um pouco de sorte consegui um punho de um amigo que fizemos logo no primeiro dia.

Agora é jantar, descansar porque amanhã vai ser a etapa mais dura do Transandes Challenge.

Dia 3; quarta-feira, 27 de janeiro de 2016; Huilo Huilo – Catripulli; 97 km; 2.330 mts – ETAPA CANCELADA (ADIADA)

Etapa cancelada, de facto a etapa cancelada foi a última “Pucón – Pucón; 30 km; 800 mts”, e esta realizar-se-á amanhã.

Nada mais esclarecedor do que as próprias palavras da organização: No es que le temamos al Agua, pero conocemos la Patagonia, sabemos de la Cordillera, la noche no alcanzo para descargar toda la lluvia, tenemos pronostico con estas mismas condiciones hasta entrada la noche, las montañas que rodean el campamento están cubiertas de nubes, y el descenso de temperatura en los senderos es muy abrupto para resguardar la seguridad de todos los corredores ante la posibilidad de hipotermia se decidió trasladar la etapa de hoy para el día de mañana, el anuncio fue muy bien recibido por los corredores, así que aprovechar el descanso extra ya que mañana el trayecto es de 97kmts.

E como havia que aproveitar bem o dia de descanso, já tínhamos levantado acampamento e se quiséssemos voltar à tenda teríamos a mesma completamente encharcada, decidimos imediatamente procurar um hotel.
Quis o destino que não conseguíssemos quarto no Nothofagus e acabámos por voltar ao hotel onde tínhamos jantado no primeiro dia, desta vez para passar o resto do dia de “descanso” e disfrutar de mais duas belas refeições e do lago Pirihueico.
Aproveito esta paragem para fazer o enquadramento deste local mágico cujo nome, Huilo Huilo, vem do idioma mapudungun, dos índios mapuches, um dos principais povos indígenas do Chile. O termo significa “fenda profunda” e foi inspirado nas enormes rachas pelas quais corre o principal rio local, Fuy. A reserva ocupa uma área de 100 mil hectares e abriga uma das poucas áreas de floresta tropical que restam no mundo. Aqui, existem cerca de 100 espécies de aves, 12 de mamíferos e 328 de flores.

A Reserva Biológica Huilo Huilo não existia como destino turístico, e as pequenas vilas que dela fazem parte, Puerto Fuy e Neltume, por exemplo, dedicavam-se exclusivamente a trabalhos florestais. Tudo mudou, quando a reserva foi descoberta pelo chileno Victor Petermann, actual proprietário e fundador, tendo, em 2007, a Unesco atribuído à reserva o título de Reserva da Biosfera.

Porto Fuy é uma pequena aldeia com uma população de aproximadamente 800 habitantes, localizada às margens do belo Lago Pirehueico. A partir da qual se pode apanhar um ferry em frente ao lago para a fronteira Hua-Hum, porta de entrada para a cidade turística de San Martín de los Andes, na Argentina.

E nós gozámos bem do local e do conforto de um colchão…

Dia 2; terça-feira, 26 de janeiro de 2016; Huilo Huilo – Huilo Huilo; 47 km; 1.750 mts

O início foi MÁGICO, e a etapa foi ainda mais dura do que a de ontem apesar de ter menos quilómetros.

O José esteve hoje muito melhor do que ontem e foi o dia de ser eu a ser rebocado pela subida acima...




Dia 1; segunda-feira, 25 de janeiro de 2016; Huilo Huilo - Huilo Huilo; 70 km; 2.050 mts

A normal logística de arranque, acordar às 7h00 para arrancar às 9h30, com pequeno-almoço servido a partir da 8h00 e as habituais filas matinais para as casas de banho.


O início da etapa não tinha para nós qualquer novidade, porém a concentração de atletas gerou um pára arranca constante nas zonas mais técnicas, felizmente esse era de facto o troço mais duro e técnico.

... infelizmente a logistica da prova e a dificuldade a aceder à internet não vai permitir uma publicação diária completa conforme esperava, assim apenas me consigo comprometer com a actualização do blog com a história das etapas no final da prova, até lá publicarei uma frase e as imagens que conseguir.



Dia 0; domingo, 24 de janeiro de 2016; Huilo Huilo – Huilo Huilo

Essencialmente um dia de descanso depois de toda a viagem feita no dia anterior. Choveu bastante, o que limitou a nossa volta de bicicleta mas ajudou a assentar a poeira.

O refeitório da organização abria somente para o jantar e tivemos a oportunidade de explorar a oferta gastronómica da região. Pequeno-almoço de óptima qualidade no hotel Nothofagus, construído com troncos de árvores e com uma arquitectura belíssima, praticamente (con)fundindo-se com a natureza que o rodeia. Almoço na Cervecería Petermann, que oferece excelentes cervejas artesanais e uma deliciosa pizza (recomendamos a Hua Hum).

Aproveitámos para arrumar os equipamentos, a roupa e o material no saco da prova (pois as nossas malas e das bicicletas teriam que ser entregues à organização na manhã de terça-feira) e afinar as bicicletas, e as pernas, dando uma volta de reconhecimento.

Saímos os três (o Pedro Bento juntou-se a nós) e fomos fazer a primeira parte da etapa 1. Fizemos apenas 13 km, mas aqueles que constituíam o arranque do dia seguinte foram uma amostra bastante intimidante, muito single-track com raízes e pedras, atravessar uma ponte suspensa e logo após descer estrutura de madeira com tracção reduzida montado na bicicleta (para o Pedro) e quase nula a pé (para o José e para mim, que fiquei pendurado no corrimão).

Regressámos ao acampamento a tempo para um banho (nos duches móveis, por sinal bastante agradáveis) e para a abertura oficial do Trans Andes Challenge 2016.

A cerimónia inicia-se com a apresentação das várias equipas de suporte à prova, segue depois a actuação de um grupo de dança tradicional chilena e o jantar.

Após o jantar é feito o briefing do primeiro dia de prova e o encerramento da cerimónia com nova actuação do grupo de dança.

Todos os atletas retiram-se para descanso (às 22h30 as infra-estruturas de suporte são desligadas) pois amanhã está prevista uma etapa muito dura.

Dia -1; sábado, 23 de janeiro de 2016; Madrid – Huilo Huilo


00h20 partida Madrid em direcção a Santiago do Chile num voo com uma duração estimada de 13h25m (chegada às 09h45m hora chilena).

O voo correu conforme previsto, chegando à hora prevista, teríamos (o José juntar-se-ia a mim em Santiago do Chile) agora voo para Temuco às 12h30m, à partida teria tempo mais do que suficiente, mas…
…primeiro passar pelo controlo fronteiriço, fila enorme…levantar a bagagem (uma mala da bicicleta e outra com roupa)…passar a fronteira com malas a terem que passar nos scanners e nova fila interminável…agora é a vez de fazer check-in para Temuco, mais uma fila, esta mais pequena. Bem em suma conseguiu-se fazer tudo a tempo e o José juntou-se a mim na porta de embarque a tempo da primeira cerveza chilena.
Passada 01h20m chegámos a Temuco, descarregámos as malas, encontramos um grupo de atletas que chegaram no mesmo voo e iriam acompanhar-nos na viagem até Huilo-Huilo.

Tínhamos no aeroporto o Daniel Püschel (Transandes Challenge coordinator) à nossa espera, depois de organizada a trupe (essencialmente espanhóis) e arrumadas as bicicletas arrancamos direito no pequeno autocarro para Huilo-Huilo que fica a cerca de 200 kms, por estrada nacional e no final macadame.


Pelo caminho paragem em Panguipulli onde desfrutámos da primeira refeição de faca e garfo após muitas horas (no meu caso 40), bife a lo pobre (um tipo de bitoque com ovo duplo).

Pela frente temos ainda 80 km até à reserva natural onde fica o acampamento. Grande parte do caminho é feita numa estrada ao largo do lago Panguipulli e quase sempre com o vulcão Mocho-Choshuenco em vista, simplesmente fabuloso, já a parte final com o piso em muito mau estado e com muito pó no ar, foi particularmente desagradável, tendo em conta tudo por que já tínhamos passado para chegar aqui.

Chegados ao acampamento o ritual é aquele já conhecido: fazer registo; escolher tenda; descarregar; malas; montar bicicletas; arrumar tenda e procurar informações para o local onde jantar.  

Terminada a logística saímos para jantar na povoação chamada Puerto Fuy, na margem do lago Pirihueico. A vista é absolutamente fantástica, com a floresta a rodeá-lo e as montanhas a coroá-lo com sua beleza imponente. A comida e a atmosfera do restaurante Marina Fuy Hotel Boutique fica como uma referência de dia em cheio.

Agora era regressar a pedalar ao acampamento, sem luzes e pelo estradão de macadame. Os olhos até se habituam bem ao escuro, o problema é o alternar com as luzes dos carros, que nos encadeiam completamente, e as faixas de pedra solta, mas também são apenas 2 quilómetros. Chegados ao acampamento ainda queríamos tomar um duche antes de deitar, mas já estavam desligados, ficamos pelo lavar dos dentes e deitar.

Foram apenas 700 km de carro, 12.000 km de avião, 172 km de autocarro.